Primeiros voos solo nos caças F-16 marcam nova fase da Força Aérea Argentina

Nandine Aquino
Publicado em: 6 de julho de 2026
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Primeiros voos solo nos caças F-16 marcam nova fase da Força Aérea Argentina

Voos solo em Córdoba encerram etapa crítica do treinamento e recolocam radar multimodo, mísseis AMRAAM e Link 16 na aviação de caça argentina.

Mais de dez anos sem um caça supersônico de primeira linha. Foi esse o intervalo que a Argentina começa a fechar agora, com os primeiros voos solo nos caças F-16 concluídos por pilotos da Força Aérea Argentina. O marco reabre uma capacidade que o país perdeu em 2015 e reorganiza o equilíbrio aéreo na América do Sul.

Primeiros voos solo nos caças F-16 marcam nova fase da Força Aérea Argentina

O que aconteceu: o primeiro voo solo no F-16 argentino

O primeiro voo solo no F-16 argentino aconteceu na Área Material Río Cuarto, em Córdoba, e certificou pilotos para operar a aeronave sem instrutor após meses de treinamento teórico e em simulador.

A cerimônia reuniu autoridades civis e militares, mas o que importa está no procedimento em si: cada piloto demonstrou domínio completo dos sistemas antes de subir sozinho.

O F-16BM usado nos treinos ficou dedicado à familiarização em solo, enquanto os aviões operacionais chegavam ao país aos poucos.

Por que o voo solo pesa tanto na formação de um piloto

A certificação de voo solo exige domínio completo de procedimentos normais e de emergência, navegação e gerenciamento de sistemas do F-16, sem apoio de instrutor a bordo.

O detalhe que a maioria ignora aqui é que voo solo não significa domínio de combate. Significa apenas que o piloto sobrevive sozinho na cabine, tomando decisões que antes cabiam a quem estava ao lado dele.

A partir daqui, o caminho segue para fases mais duras: combate ar-ar, ataque ao solo, missões noturnas e emprego de armamentos.

O vácuo de uma década: Argentina sem caça supersônico desde 2015

A Argentina ficou sem caça supersônico de primeira linha desde 2015, quando os Mirage III e Mirage 5 saíram de serviço, abrindo uma lacuna de quase dez anos frente a vizinhos como Brasil e Chile.

Na prática, esse intervalo pesou mais na doutrina do que no orçamento. A Argentina perdeu capacidade de dissuasão aérea, não apenas equipamento.

PaísCaça principalSituação
ArgentinaF-16AM/BM MLUEm certificação de pilotos
ChileF-16Frota operacional consolidada
BrasilGripen E/FFrota em expansão

O que veio junto com o F-16: armamento e tecnologia

O pacote de armamentos do F-16 argentino inclui mísseis AIM-120C-8 AMRAAM, bombas guiadas GBU-12 Paveway II e sistemas de comunicação Link 16, aprovados pelos Estados Unidos.

Esse conjunto muda o patamar tecnológico argentino:

  • Mísseis AIM-120C-8 AMRAAM: alcance além do horizonte visual, permitindo ataque antes do contato visual com o alvo.
  • Bombas GBU-12 Paveway II: guiadas a laser, aumentam a precisão contra alvos em solo.
  • Link 16: rede de dados que conecta o F-16 a outras aeronaves e sistemas de defesa em tempo real.
Primeiros voos solo nos caças F-16 marcam nova fase da Força Aérea Argentina

Os próximos passos do Programa Peace Condor

O Programa Peace Condor segue com modernização de bases na VI Brigada Aérea e na Área Material Río Cuarto, além da formação de instrutores argentinos pela empresa canadense Top Aces.

O objetivo é reduzir a dependência de centros de treinamento no exterior nos próximos anos.

Na prática

  • Voo solo certificado em Río Cuarto, Córdoba
  • Lacuna de quase uma década sem caça supersônico fechada
  • Pacote de armamento eleva capacidade frente a Chile e Brasil
  • Próxima fase: combate ar-ar e ataque ao solo

Enquanto os novos aviadores avançam para o treinamento avançado, a Argentina recupera algo que faltava desde 2015: uma força aérea de caça com dentes.