Com o ROOK, veículos de combate americanos passam a contar com guerra eletrônica embarcada capaz de confundir mísseis e drones antes do impacto, uma resposta direta à vulnerabilidade que destruiu centenas de blindados na Ucrânia.
Um tanque que custa dezenas de milhões de dólares destruído por um drone de algumas centenas. Esse desequilíbrio, documentado em larga escala nos conflitos recentes, acelerou uma decisão que o Exército dos EUA formalizou em 27 de maio de 2026.
A adjudicação do programa oficial de Sistema de Proteção Ativa Soft Kill à BAE Systems, com o objetivo de equipar veículos terrestres de combate com capacidades avançadas de guerra eletrônica. A primeira fase do contrato está avaliada em US$ 20 milhões.

O problema que forçou essa decisão
O Exército caminha para uma defesa veicular em camadas construída em torno de detecção precoce, ataque eletrônico e disrupção da cadeia de engajamento inimiga.
A proliferação de sistemas aéreos não tripulados baratos, munições vagantes e mísseis anticarro de terceira geração tornou a blindagem passiva, placas reativas, estrutura e blindagem composta insuficiente por si só.
Veículos que sobreviveram décadas de conflito convencional agora enfrentam ameaças que custam centenas de dólares e podem ser operadas por civis treinados em semanas.
Como o sistema ROOK funciona
O ROOK detecta as assinaturas eletromagnéticas associadas a ameaças guiadas e emite contramedidas específicas para perturbar ou enganar esses sistemas de guiagem.
Mísseis anticarro que utilizam designação laser ou rastreamento infravermelho podem ser confundidos pelo bloqueio do sensor ou pelo envio de sinais falsos que desviam a arma do curso. O mesmo princípio se aplica a certas categorias de drones que usam enlaces de controle por radiofrequência ou guiagem óptica.
O programa se apoia no ROOK, uma evolução direta do sistema TERRA RAVEN, que venceu o Soft Kill Rodeo do Exército americano em 2019. A distinção em relação aos sistemas hard-kill é operacionalmente relevante.
Sistemas como o Trophy israelense lançam um interceptador físico para destruir a ameaça antes do impacto são altamente eficazes, mas cada interceptador é uma munição consumida que exige recarga, criando um problema de profundidade de carregador em engajamentos com múltiplos ataques sequenciais.
A vantagem do carregador sem fundo
Como contramedida soft-kill, o ROOK neutraliza ameaças antes do impacto e ao mesmo tempo preserva o estoque limitado dos sistemas hard-kill tradicionais, reservando os interceptadores cinéticos para engajamentos especializados.
Dave Gillespie, diretor de Soluções Ópticas e Contramedidas da BAE Systems, traduz a lógica operacional: o sistema oferece “uma defesa sustentável e com profundidade de carregador infinita, perturbando continuamente os sistemas inimigos.“
O contrato também prevê o desenvolvimento dos sistemas Stormcrow e TERRA RAVEN de próxima geração, além da entrega de protótipos para integração e testes em veículos. Para 2026 e 2027, o Exército planeja desenvolvimento de software com arquitetura modular aberta, integração com o kit base do Sistema de Proteção Veicular e avanço até a revisão de projeto, entrega de protótipos e demonstração em plataforma.
O desenvolvimento e a fabricação ocorrerão na unidade da BAE Systems em Austin, Texas, com suporte de pesquisa e desenvolvimento no FAST Labs em Merrimack, New Hampshire.
Os próximos passos do programa passam pelos testes de integração em veículos reais, fase que determinará quais plataformas da frota americana receberão o sistema primeiro e em que escala. O resultado também tende a orientar decisões de aliados da OTAN que modernizam seus blindados diante das mesmas ameaças.











