Diehl Defence e AEL Sistemas avançam com IRIS-T na disputa pela defesa aérea terrestre do Brasil

Nandine Aquino
Publicado em: 8 de julho de 2026
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Diehl Defence e AEL Sistemas avançam com IRIS-T na disputa pela defesa aérea terrestre do Brasil

Acordo assinado em Brasília reforça o IRIS-T como candidato ao programa de defesa aérea terrestre do Exército, que já reservou parte do projeto ao rival CAMM-ER da MBDA.

O Exército Brasileiro já escolheu um fornecedor de mísseis antes mesmo de fechar o programa inteiro de defesa aérea terrestre. Agora, um novo acordo entre a Diehl Defence e a AEL Sistemas mostra quem quer ficar com o resto dessa disputa.

As duas empresas assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) em Brasília para reforçar a cooperação nos sistemas de defesa aérea de médio e longo alcance do país.

Diehl Defence e AEL Sistemas avançam com IRIS-T na disputa pela defesa aérea terrestre do Brasil

O que diz o novo acordo entre Diehl Defence e AEL Sistemas

O MoU cobre a cooperação da Diehl Defence e da AEL Sistemas nos programas brasileiros de defesa aérea terrestre de médio e longo alcance. Ele formaliza um passo que as duas empresas já vinham construindo.

Na prática, o documento define papéis claros:

  • Diehl Defence segue como contratada principal dos sistemas IRIS-T SLM (médio alcance) e, no futuro, do IRIS-T SLX (alcance estendido).
  • AEL Sistemas integra a tecnologia nacional, incluindo o link tático brasileiro Link BR2, e cuida do suporte logístico em território brasileiro.
  • O acordo também sustenta projetos já em andamento, como o uso do IRIS-T nos caças F-39 Gripen e a futura integração à frota de F-5.

Por que o momento importa: a disputa pelo programa antiaéreo do Exército

O que já foi decidido com a MBDA em janeiro

O programa de defesa aérea terrestre do Exército já tem um fornecedor parcialmente contratado: a MBDA, escolhida em janeiro de 2026 para a primeira fase, com o sistema EMADS e mísseis CAMM-ER.

Isso muda a leitura do MoU. Não se trata de uma empresa fechando um mercado sozinha, é uma disputa em andamento, com dois fornecedores europeus competindo por fatias do mesmo projeto brasileiro.

SistemaFornecedorSituação no programa
IRIS-T SLM / SLXDiehl Defence + AEL SistemasMoU reforçado em julho/2026, sem contrato de fornecimento fechado ainda
CAMM-ER (EMADS)MBDAPrimeira fase já contratada em janeiro/2026

Na prática, o detalhe que passa despercebido é que o Brasil não está escolhendo um único sistema. Ele está distribuindo o programa entre fornecedores concorrentes, testando qual solução entrega mais em campo.

Uma parceria que não começou agora

A cooperação entre Diehl Defence e AEL Sistemas no setor de defesa aérea antecede o MoU de julho de 2026 em vários anos. As duas empresas já haviam apresentado o IRIS-T junto ao Exército em propostas anteriores.

O que chama atenção ao comparar os anúncios é que a Diehl e a AEL vinham construindo essa base de relacionamento havia tempo, antes de o MoU virar notícia. Isso explica a rapidez do novo passo.

O pano de fundo diplomático: Alemanha e Brasil

A assinatura ocorreu durante visita à América do Sul do ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul, à frente de uma delegação empresarial. O momento não é coincidência.

Em abril de 2026, durante consultas em Hanôver, o chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já haviam fechado um memorando sobre cooperação na aquisição de equipamentos de defesa. O MoU da Diehl com a AEL é um desdobramento direto desse entendimento.

O CEO da Diehl Defence, Helmut Rauch, descreveu o Brasil como um mercado estrategicamente importante para a empresa na América do Sul, citando a experiência da AEL Sistemas com as exigências das Forças Armadas brasileiras.

Lançador do sistema IRIS-T SLM usado na defesa aérea terrestre

O que vem pela frente na corrida pelo céu brasileiro

No fim, o MoU não fecha nada, só reposiciona os jogadores. A Diehl Defence e a AEL Sistemas entram mais fortes numa disputa que a MBDA já começou a vencer em parte.

O programa de defesa aérea terrestre do Exército segue aberto, e o próximo capítulo depende de qual sistema convence o Brasil a fechar o restante do contrato.

Quem vai proteger o espaço aéreo terrestre brasileiro ainda não está decidido e essa indecisão é exatamente o que torna 2026 um ano decisivo para o setor.