Embraer E2 recebe da EASA a certificação de sistema que já protege seus jatos executivos

Nandine Aquino
Publicado em: 20 de julho de 2026
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Embraer E2 recebe da EASA a certificação de sistema que já protege seus jatos executivos

Sistema que já opera em jatos executivos da fabricante chega à família comercial E-Jet E2, com mais de 200 unidades voando em 24 companhias aéreas.

Um sistema de segurança que já protege os jatos executivos da Embraer ganhou aval para voar também nos comerciais. A EASA certificou o ROAAS para toda a família E-Jet E2, e isso amplia o alcance de uma tecnologia que só a Embraer certifica nesse formato.

Embraer E2 recebe da EASA a certificação de sistema que já protege seus jatos executivos
O sistema que já voava nos jatos executivos da Embraer agora chega aos E2 comerciais | Foto: Divulgação/Embraer

O que a EASA certificou para o E2

A Agência de Segurança da Aviação da União Europeia certificou o ROAAS para a família E-Jet E2 em 17 de julho de 2026. A aprovação chegou logo depois de a ANAC validar o sistema no Brasil. As duas etapas seguem o mesmo caminho regulatório, primeiro o mercado doméstico, depois a Europa.

Companhias que operam o E2 fora da Europa também ganham um caminho mais simples. Muitos países aceitam a aprovação da EASA como referência e dispensam processos repetidos.

Como funciona o ROAAS

O ROAAS monitora o estado da aeronave o tempo todo e calcula, em tempo real, o desempenho de pouso. Ele age tanto na aproximação quanto depois do toque na pista. Quando percebe risco de a aeronave não parar dentro do espaço disponível, avisa a tripulação.

Os algoritmos por trás do cálculo nasceram dentro da própria Embraer. Eles cruzam peso, velocidade e condição da pista para estimar a distância de frenagem.

Tecnologia que já voa nos jatos executivos

O ROAAS não nasceu para o E2. Ele equipa o Phenom 300E e os recém-certificados Praetor 500E e 600E, jatos executivos da fabricante. A Embraer afirma ser a única do segmento executivo a desenvolver e certificar esse tipo de sistema, um diferencial que agora chega ao mercado comercial.

O detalhe que passa despercebido aqui é que o E2 não estreia o ROAAS. Ele herda um sistema já testado em outra frota, aplicado agora a um segmento com muito mais tráfego.

Por que isso importa para a aviação comercial

Excursões de pista estão entre as ocorrências mais comuns da aviação comercial. Dados da IATA de 2025 colocam esse tipo de evento ao lado de tail strikes e falhas de trem de pouso entre as categorias de acidente mais frequentes no mundo.

No Brasil, o tema carrega peso desde o acidente de julho de 2007 em Congonhas. Depois dele, a ANAC criou uma comissão só para excursões de pista, e a CENIPA passou a acompanhar o problema com estatísticas próprias.

O que muda para os operadores

A certificação amplia a disponibilidade do ROAAS para operadores europeus e para países que reconhecem aprovações da EASA. Na prática, companhias que voam o E2 fora da União Europeia também podem habilitar o sistema sem depender de aprovações separadas caso a caso.

O sistema entrega:

  • Mais consciência da tripulação sobre as margens de pouso, já durante a aproximação.
  • Alertas preditivos em tempo real, antes e depois do contato com a pista.
  • Menos risco de ultrapassar o fim da pista disponível.

A frota E2 já soma mais de 200 aeronaves em operação, distribuídas entre 24 companhias aéreas em seis continentes. Todas passam a ter um caminho mais direto para adotar uma tecnologia que, até aqui, ficava restrita aos jatos executivos.

O caminho do ROAAS mostra como a Embraer testa segurança em escala menor antes de levar a tecnologia para onde o tráfego é maior. Cada certificação nova fecha uma lacuna entre o que os executivos já tinham e o que os passageiros de voos comerciais recebem agora.