B-1B Lancer volta do cemitério de aviões: USAF reverte aposentadoria e mantém bombardeiro na frota até 2037

Nandine Aquino
Publicado em: 7 de maio de 2026
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B-1B Lancer volta do cemitério de aviões: USAF reverte aposentadoria e mantém bombardeiro na frota até 2037

O B-1B Lancer 86-0115 estava oficialmente descartado, encostado no deserto do Arizona desde 2021, catalogado como retirado de serviço, até a USAF gastar dois anos e mais de 500 componentes para trazê-lo de volta.

Essa recuperação revela algo que os comunicados oficiais não dizem diretamente: o maior plano de modernização de bombardeiros da história americana está com o calendário comprometido.

B-1B Lancer volta do cemitério de aviões: USAF reverte aposentadoria e mantém bombardeiro na frota até 2037
Foto divulgação: USAF

O avião que foi descartado e voltou

O B-1B Lancer, apelidado de “Bone”, passou quase dois anos no boneyard de Davis-Monthan, no Arizona. A instalação militar onde os EUA guardam aeronaves em armazenamento de longo prazo, conhecida como o “cemitério” da aviação americana.

A aeronave de número de cauda 86-0115 entrou no Armazenamento Tipo 2000 em 2021, sob gestão do 309th Aerospace Maintenance and Regeneration Group (AMARG).

A decisão de recuperá-la não foi simples. A USAF precisava justificar o custo diante de um plano que previa justamente reduzir a frota de Lancers para abrir espaço ao novo bombardeiro furtivo B-21 Raider.

O detalhe que a maioria ignora: o avião voou sem pintura durante os testes de validação, prática padrão que permite inspecionar visualmente toda a estrutura antes de qualquer cobertura superficial.

Dois anos, 200 pessoas, 500 peças

O trabalho de recuperação aconteceu na Base Aérea de Tinker, em Oklahoma, conduzido pelo Oklahoma City Air Logistics Complex. A escala impressiona:

  1. Revisão estrutural completa da célula
  2. Modernização de sistemas eletrônicos e de voo
  3. Substituição de mais de 500 componentes
  4. Voos de validação pelo 10th Flight Test Squadron
  5. Pintura final e entrega à frota operacional

Mais de 200 militares e civis do 567th Aircraft Maintenance Squadron participaram do processo. O bombardeiro deixou Tinker em 22 de abril de 2026 e voltou à Base Aérea de Dyess, no Texas.

B-1B Lancer volta do cemitério de aviões: USAF reverte aposentadoria e mantém bombardeiro na frota até 2037
Foto divulgação: USAF

“Apocalypse II”: um nome carregado de história

O B-1B recuperado ganhou o nome “Apocalypse II” — homenagem a um bombardeiro B-24 Liberator que serviu durante a Segunda Guerra Mundial. A tradição de nose art remonta aos anos 1940 e permanece viva na USAF como forma de criar identidade entre gerações de aeronaves.

O B-21 Raider e o plano que mudou

B-1B LancerB-21 Raider
TipoBombardeiro supersônico convencionalBombardeiro furtivo de nova geração
Carga máxima34 toneladasNão divulgado oficialmente
Status atualFrota ativa, recuperações em cursoEm fase inicial de entrega
Previsão de operaçãoPelo menos até 2037Substituição gradual em andamento

A USAF planejava reduzir os B-1B gradualmente enquanto o B-21 Raider entrava em serviço. A demanda operacional crescente forçou uma revisão desse calendário.

Na prática, manter o B-1B até 2037 enquanto o B-21 ainda está em fase inicial de entrega revela uma lacuna de capacidade que os comunicados oficiais preferem não nomear diretamente.

Foto divulgação: USAF

Documentos orçamentários recentes indicam que a frota de Lancers permanece como elemento central da capacidade de ataque convencional de longo alcance dos EUA, ao lado do B-52 Stratofortress e do B-2 Spirit, os outros dois bombardeiros da tríade estratégica americana.

O “Bone” não vai dormir tão cedo

O retorno do 86-0115 ao serviço não é uma história sobre um avião velho ressuscitado. É sobre uma força aérea que precisou rever seus próprios planos diante da realidade operacional.

Enquanto o B-21 Raider não chega em quantidade suficiente, o “Bone” continua sendo o bombardeiro que os EUA realmente têm. Agora a USAF deixou claro que pretende usá-lo por pelo menos mais uma década.